terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

À minha mãe...


Hoje cedo, liguei para a minha mãe, como eu faço quase sempre. Lá estava ela, no jardim. Feliz e animada do alto dos seus oitenta e quatro anos, me disse que havia levantado cedo, tomado café e ido limpar os canteiros, replantar algumas mudas de flores e regar as suas plantas. Fiquei muito feliz ao sentir em sua voz, a disposição e a vitalidade. Após passar uma vida de lutas e dificuldades, auxiliando meu pai a nos criar, educar e dar o melhor que ela pode, nada mais justo poder se dedicar às linhas, às lãs, ao jardim e às flores. Hoje, é nos bordados, no tricô e no crochê que ela passa as tardes ensolaradas, sentada ao lado de um jardim de inverno. É a recompensa de uma mulher guerreira que sempre lutou bravamente por seus filhos e sua família. Eu recordo dos tempos em que, para nos dar um estudo digno, ela se dispôs a lavar trouxas de roupa das estudantes internas no mesmo colégio onde ela queria que nós, seus filhos, estudássemos. E, assim foi. Com seus “lavados” de roupa, custeou o ensino primário de seus afortunados (no mais amplo sentido da palavra) filhos. Mais tarde, quando já não existia internato de meninas e as roupas para lavar sumiram, ela se dedicou à feitura de comida e assados para fora. Eram pães, cucas, galinhas e patos assados diariamente, para que com o dinheiro arrecadado, continuássemos nos preparando para um futuro melhor. Eu, ainda hoje, recordo com emoção e orgulho, de um Natal muito especial. Aquele foi, sem dúvidas, o mais bonito Natal da minha vida. Eu, como filho mais velho e único sabedor, até então, que o nosso verdadeiro Papai Noel estava ali, em frente ao forno em sua lida diária, fui testemunha de algo grandioso. Eram dezoito horas da véspera de Natal, quando ela entregou o último pato assado a seu dono. Em poucos minutos, ela se arrumou e me pegou pela mão. Saímos a passos largos em direção ao centro da pequena cidade, onde ela sabia que uma loja de brinquedos ainda estava com suas portas abertas. E, em pleno início da noite em que todas as crianças já estavam esperando pelo seu presente de Natal, ela fez o milagre. Com a minha pequena e orgulhosa ajuda, escolheu o que cada um de nós, seus filhos, gostaria de ganhar do Papai Noel. Horas mais tarde, ela viu com orgulho, os quatro mais belos sorrisos do seu mundo. São fatos como este, que a tornam a melhor mãe deste mundo! Hoje, felizes daquelas flores do seu jardim, que podem sentir o carinho daquelas mãos trabalhadoras e bondosas. Tenho certeza que aquele é o jardim mais bonito da vizinhança! Existe carinho e amor, além de terra, naqueles canteiros.



01/05/2009
16h 11min

Um comentário:

Anônimo disse...

O texto mais lindo que eu ja li em minha vida!!!
Do meio do texto para baixo,tive dificuldades em ler,porque as lagrimas embaciaram as minhas lunetas,ao poder partilhar este testemunho de um filho,que nao esquece os mais valiosos carinhos,os mais amorosos gestos,que podem acontecer neste mundo...O amor de mae nao tem medida!Mae!!!Ela eh sem duvida,a maior das Maes!!Quanto orgulho!!!!
Sinto que Jefferson Dieckmann,escreveu este texto de peito aberto e sentindo o orgulho maior que algum dia, pode ter sentido!
Bem haja Sra.D.Maria!!!!Mae Maria!!!Mais uma Maria digna do nome que recebeu...Ela soube e sabe ser a melhor entre as melhores Maes!
Bem merece, ter os filhos ajoelhados a seus pes!!!
Parabens,Jefferson!Este eh o mais lindo texto,que algum dia escreveste...Abraco pelo momento mais alto,da tua dedicacao ah Literatura...
Tu,podes gritar ao mundo e dizer,que o AMOR,na tua familia aconteceu e acontece!!!Foram e sao,tu e teus irmaos,os filhos mais ricos deste planeta!
Afinal,tu foste um menino rico!!!!!!Tao rico,que nunca saberas quanto!!!!
O texto que mais me tocou...
Beijos da
Su